Leite: a Embrapa estuda vacas que comem menos e produzem mais.

3 de novembro de 2020 0 Por Walison.t.l

Animais mais eficientes terão um papel decisivo na otimização dos benefícios econômicos da propriedade

 

Pesquisadores da Embrapa Gado de Leite vêm estudando como melhorar a eficiência alimentar das vacas. O termo parece complicado, mas é verdade. Fundamentalmente, isso significa comer menos, para que o animal produza mais. Segundo a pesquisadora e coordenadora Mariana Campos, isso é possível.

“Existem pessoas na sociedade humana que comem menos do que outras e ganham peso; é o mesmo com as vacas. Alguns podem dar melhores resultados na produção, comendo menos ou igual aos outros ”, afirma.

A organização concluiu o primeiro estudo com fêmeas girolando e atualmente trabalha com animais leiteiros em lactação. Os pesquisadores estão estudando características de vacas que têm potencial para produzir mais com menos comida – essas características são chamadas de fenótipos.

Então, nossa ideia é cruzar o fenótipo com o genótipo, e esses genótipos são as características genéticas que determinam o fenótipo. Pesquisas com marcadores genéticos permitirão entender as condições necessárias para vacas mais eficientes, de modo a fornecer nutrição precisa para animais selecionados.

“Identificar os fenótipos que atendem à eficiência da amamentação em vacas leiteiras durante as fases de alimentação, alimentação, pré-nascimento, lactação e secagem será capaz de gerar um banco de dados consistente para identificar características genéticas que podem ser incluídas no plano, disse Mariana.

Desta forma, os criadores poderão encontrar material genético (sêmen ou embriões) nos centros de inseminação e produção de embriões, o que garantirá que vivam em grupos com melhor índice de consumo alimentar / produção de leite. Isso já pode ser feito com outras características (incluindo características genéticas), como resistência a endotoxinas e ectoparasitas, problemas de casco, conformação, produção de sólidos no leite, etc.

 

Quais são os resultados até agora?

 

Um dos primeiros resultados do projeto foi provar que as diferenças na eficiência alimentar podem começar já na fase de ordenha do bezerro. Segundo Mariana Campos, “é possível avaliar o consumo excedente de alimentos, ganho de peso excedente, consumo excedente e aumento de forma pioneira”. O consumo é dividido entre expectativas e observações. Animais cujo consumo é inferior ao estimado são considerados mais eficientes do que animais cujo consumo é inferior ao estimado. Esse recurso é chamado de “consumo de comida excedente”.

d Os pesquisadores explicaram que a digestibilidade dos alimentos é medida pela diferença entre os nutrientes excretados nas fezes menos os nutrientes consumidos, ou seja, são os nutrientes realmente utilizados. No experimento, ao avaliar a ingestão do alimento restante do bezerro mais eficaz, os pesquisadores descobriram que a diferença na digestibilidade dos nutrientes resultou em maior digestibilidade da dieta em algumas vacas. Diferenças no metabolismo das proteínas também foram encontradas durante a lactação.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores monitoraram 80 piões e ciganos. Esses estudos levaram seis anos para serem concluídos. A pesquisadora Fernanda Samarini disse: “Esse tipo de pesquisa envolve uma série de experimentos com animais e exige muito trabalho, mas com o desenvolvimento da tecnologia de genética molecular, podemos obter resultados reais em poucos anos”.

 

Benefícios

 

Os benefícios “escolher animais com maior eficiência alimentar contribuirá para a sustentabilidade do sistema de produção”, garante o pesquisador da Embrapa Gado de Leite Thierry Ribeiro Tomich. O gado é o emissor de metano (CH4) na atmosfera e é um dos mais prováveis ​​causadores das mudanças climáticas. Os pesquisadores afirmam: “Uma produção mais eficiente reduz as emissões desse gás”.

Ao contrário dos animais monogástricos (que têm apenas estômago), os ruminantes usam a fermentação para a digestão, de modo que a celulose pode ser usada como alimento. Em vez disso, CH4 é produzido. “A nutrição de precisão também visa reduzir essas emissões, pois para o gado, quanto mais eficiente a conversão de alimentos e a produção de leite e carne, menos emissões de CH4 são produzidas por produto.” Disse Tomich.

Os pesquisadores destacaram que, além da sustentabilidade ambiental, a otimização da nutrição animal também pode afetar muito a viabilidade econômica do sistema de produção. Segundo dados da Embrapa, a alimentação é o principal custo da pecuária leiteira (entre 50% e 60%), o que reduz a rentabilidade dos pecuaristas. Ele concluiu: “As vacas podem usar os alimentos de forma mais eficiente e consumir menos leite para atingir o mesmo nível de produção, portanto, o lucro é maior e a produção de leite por fazenda é maior.”

 

Fonte : Canal Rural